Como aumentar o engajamento de forma mais inteligente em 2022

Por Alana Mendes de Azevedo, Chief People & Culture Officer na Flash Benefícios

Engajamento é sempre um assunto na roda de profissionais de recursos humanos e funcionários de muitas companhias. Sabemos que não há uma única receita de sucesso para conectar, de verdade, as pessoas aos seus empregos. Afinal, o que funciona para uma companhia pode não ter o mesmo efeito em outra, assim como o que vale para um colaborador pode não ser tão importante para outro. Mas uma coisa é fato: todos nós buscamos uma empresa que nos encante, que nos valorize e que nos inspire a dar o melhor de nós.


No dia a dia, quantas histórias não ouvimos de colegas que deixaram um cargo pelo fato de a cultura corporativa ser engessada ou de os valores empresariais conflitarem com as crenças pessoais? Esses relatos são bastante comuns. O instituto americano de pesquisa Gallup estima que apenas 20% dos trabalhadores do mundo estão engajados. Isso significa que têm vontade de realizar bem as tarefas, possuem mais energia e são resilientes às mudanças – uma característica básica nos dias de hoje, não?
Manter os funcionários engajados é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores formas de retê-los. Mas como conseguir essa façanha?


Com o Great Resignation, a saída espontânea dos empregados após a pandemia, vejo algumas organizações tentando de tudo para segurar o pessoal. O mais comum é oferecer uma contraproposta no momento da demissão ou aumentar o salário dos talentos, mas já vi até casos de empresas desenhando uma política de bônus de retenção para evitar a saída dos profissionais. Na minha opinião, “comprar” os funcionários não é a melhor forma de engajá-los.


Na Flash, um dos principais pontos de engajamento da companhia é a nossa cultura, que é forte desde a alta liderança. Por aqui, incentivamos nossos líderes a escutarem a todos e fazerem com que as pessoas se sintam à vontade para se expressarem – sem medo de represálias ou “olhares tortos”. Preservamos a individualidade e entendemos que nem sempre os pontos de vista serão os mesmos, mas que todos precisam ser respeitados. Aqui, não toleramos desrespeito e cobramos um papel ativo da nossa liderança.


Acredito que também é importante garantir o respeito ao conhecimento e à experiência que cada funcionário tem e agrega à empresa. Não importa o cargo ou a trajetória, qualquer pessoa pode contribuir genuinamente com o nosso negócio. Basta dar espaço para que ela seja ouvida.


Em nossa pesquisa de clima, obtivemos notas altas nas perguntas sobre liberdade de expressão, principalmente no item em que perguntamos sobre a capacidade da empresa de respeitar o jeito de ser de cada um – e sem preconceitos. Assim, deixando as nossas equipes livres para expressarem suas ideias e opiniões de forma construtiva, promovemos um ambiente de trabalho em que cada um pode ser quem é, garantindo a segurança psicológica.


A fonte dessa segurança está em nossa cultura. Por isso eu penso que, para engajar um funcionário, é preciso ter uma cultura forte, e um trabalho de diversas mãos para garantir que isso seja respeitado. Não é à toa que “fortalecer a cultura corporativa” aparece como prioridade número 1 para os profissionais de RH em 2022, segundo uma pesquisa da Think Work.


Na Flash, acreditamos que, para atrair e reter talentos e crescer de forma sustentável, precisamos que os colaboradores encontrem um ambiente que permita que seu posicionamento seja definido e que suas ideias sejam colocadas em prática. Nossos líderes são estimulados a abrir espaços frequentes para discussão com os seus times, com feedbacks individuais mensais.


Também oferecemos o que chamamos de “plano de voo”, um processo contínuo de avaliação e retornos trimestrais. O colaborador recebe feedbacks de seu gestor e da equipe na qual trabalha. Essa é mais uma prática que deixa claro para todos que os diversos pontos de vista importam. É assim que mantemos uma constância entre o que é esperado e o que é necessário para cada funcionário. Esse processo, para nós, traz transparência sobre os movimentos da empresa. E, para os colaboradores, dá luz sobre o futuro de sua carreira. Além disso, é claro, torna o ambiente de trabalho confiável e seguro.


Falando sobre saúde mental (outro tema urgente para 2022), trabalhar em um lugar que te escuta, dá autonomia e te permite ter voz faz toda a diferença. No fim, é por conta dessa segurança e por se sentirem à vontade para ser quem são que os funcionários se engajam com a empresa.
Para 2022, meu desejo é de mais liberdade de expressão dentro das companhias — e que ninguém sinta medo de se expressar dentro de uma cultura corporativa. Dê espaço para o seu funcionário ser quem ele é, e você terá muito mais resultados.

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